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Artigos escritos pelos médicos da Clínica Avançada OrtoBone

> Tratamento de osteomielite : biomaterial reabsorvível como veículo de liberação de antibiótico

Artigo apresentado no 37º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Everson de Oliveira Giriboni; Angélica Gimenes

Objetivo:
As dificuldades encontradas na obtenção de enxerto autólogo para o preenchimento de falhas ósseas incluem limitação de material obtido e morbidade da área doadora, favorecendo desta forma a utilização de materiais sintéticos como substitutos ou mesmo a utilização conjunta com enxerto autólogo. Os primeiros relatos da aplicação de sulfato de cálcio (plaster of paris) para o preenchimento de falhas ósseas datam de 1892. Este biomaterial cerâmico, inorgânico e reabsorvível apresenta propriedades osteocondutoras, ou seja, atua como um suporte para as células osteoprogenitoras, favorecendo a neovascularização e a deposição de tecido durante a formação óssea. Além de sua utilização para o preenchimento de falhas ósseas, desde 1927 tem sido proposta a adição de antibiótico durante o processo de preparação do sulfato de cálcio, possibilitando a liberação controlada deste antibiótico durante o processo de reabsorção do próprio sulfato de cálcio. O processo de liberação local de antibiótico por meio de biomaterial reabsorvível evita a aplicação de altos níveis sistêmicos da droga ou mesmo a necessidade de remoção de veículo de liberação de antibiótico não absorvível, como metacrilatos. O objetivo deste trabalho é avaliar a utilização do sulfato de cálcio como agente de liberação controlada de antibiótico no tratamento e prevenção de osteomielite. O antibiótico utilizado, sulfato de tobramina, é indicado para o tratamento de infecções osteoarticulares graves causadas por cepas como staphylococcus aureus, staphylococcus epidermidis, pseudomonas aeruginosa, entre outras.

Material e método:
O biomaterial sulfato de cálcio grau médico em pó foi utilizado em trinta e dois pacientes para o preenchimento de falhas ósseas em casos de osteomielites agudas e crônicas e cirurgias com osteomielites previamente tratadas, predominantemente de tíbia e fêmur. O biomaterial foi aplicado nos locais de lesão óssea juntamente com implantes metálicos, como hastes, pinos e placas, com a finalidade de estabilizar as lesões.o biomaterial fornecido em pó é misturado a solução líquida de antibiótico (tobramicina ou vancomicina) para a obtenção de uma pasta que é moldada na forma de pastilhas. Todo este processo é realizado durante o ato cirúrgico e são mantidas todas as condições de assepsia para a manipulação de material previamente estéril. Esta mistura do biomaterial com antibiótico foi aplicada em falhas ósseas com o intuito de tratar osteomielites agudas e crônicas em cirurgias como preventivo de infecção em potencial.

Resultados:
Os pacientes tratados com biomaterial associado a antibiótico para a prevenção ou o controle de infecção óssea apresentaram evolução clínica satisfatória. Exames radiográficos demonstraram a reabsorção do biomaterial presente inicialmente na falha óssea, resultando na liberação local de antibiótico. Apenas em cinco casos (15 % dos casos analisados) não foi observado o controle da infecção. Foram detectados como agentes infecciosos responsáveis pelo quadro de osteomielite serratia, staphylococcus aureus e psedomonas, sendo que os casos de não resolução de três dos quadros infecciosos estudados estavam relacionados a presença de staphylococcus aureus. Em outros dois casos com a constatação da presença de staphylococcus aureus a infecção foi controlada com a aplicação local de antibiótico associado ao biomaterial. Não foram constatadas maiores complicações no seguimento pós-operatório dos casos estudados.

Conclusão:
A utilização de biomaterial a base de sulfato de cálcio adicionado de antibiótico possibilita o tratamento de osteomielites e a prevenção de infecção.

Consulte a página original do resumo no site da SBOT. Clique aqui para acessar.

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