O ambiente

A Arquitetura da Clínica Avançada OrtoBone: funcionalidade e bem-estar

Guia para os pacientes

Para entender melhor o que é artroplastia e quais são os cuidados que devemos ter com o joelho antes e depois da cirurgia, é preciso primeiro saber o que significa artroplastia.

Joelho

1. O que é artroplastia?

Artroplastia é o termo dado à cirurgia de substituição ou reparação da articulação do joelho quando esta apresenta problemas como degeneração, trauma ou fratura. Articulação é a conexão existente entre dois ou mais ossos. A artroplastia de substituirão pode ser feita com a utilização de próteses.

2. Como é formada a anatomia do joelho?

A articulação do joelho é formada pelo fêmur (osso da coxa), pela líbia (osso da perna) e pela patela (osso da frente do joelho, antigamente chamado de rótula). A conexão entre as partes ósseas é feita por meio das partes moles, tais como a cápsula articular, os ligamentos e os meniscos, interpostos pela cartilagem e pelo Liquido sinovial. O equilíbrio dessas estruturas faz com que a articulação trabalhe em harmonia. A cartilagem articular, o líquido sinovial e os meniscos têm a função de distribuir as forças exercidas sobre o joelho, evitando a sobrecarga entre os ossos, diminuindo o desgaste.

3. Quais são os tipos de problemas que podem ocorrer com a articulação do joelho?

A artrose do joelho ocorre quando há degeneração da cartilagem articular. Essa degeneração pode ser primária ou secundária. A artrose primária ou idiopática é aquela em que não é possível identificar a causa. Pode estar relacionada à história familiar, pelas características anatômicas do individuo, ocorrendo geralmente a partir dos 60 anos de idade, devido a problemas progressivos da cartilagem do joelho. A artrose secundária ocorre principalmente como conseqüência de um trauma (fraturas ou lesões nos ligamentos), que provoca uma sobrecarga da articulação.

4. O que é artrose ou osteoartrose?

E a deterioração progressiva da cartilagem que compõe as articulações (parte do corpo que permite o movimento entre os ossos), levando a sintomas progressivos de dor, à deformidade e à limitação dos movimentos. As áreas no corpo mais comprometidas são as que suportam maior peso.

5. Quais são os sintomas da artrose de joelho? Os mais comuns são:

· dor, principalmente na movimentação, Levando a alterações da marcha;
· deformidade progressiva, decorrente da sobrecarga articular;
· diminuição da mobilidade articular. A dor pode limitar os movimentos interferindo nas atividades cotidianas, como, por exemplo, em uma caminhada.

6. Como tratar a artrose de joelho sem cirurgia?

Nas fases iniciais, o tratamento pode ser feito com fisioterapia e medicamentos. O objetivo da fisioterapia é minimizar a dor, por meios térmicos (gelo ou calor local e profundo) e exercícios de fortalecimento e alongamento de toda a musculatura da perna. O controle do peso corporal também é benéfico.

Os medicamentos utilizados são analgésicos, antiinflamatórios e aqueles medicamentos que diminuem a velocidade de degeneração da cartilagem, como os condroprotetores (protetores da cartilagem).

7. Por que fazer a artroplastia de joelho?

Para diminuir a intensidade da dor e melhorar a amplitude dos movimentos, proporcionando uma melhor qualidade de vida. Está indicada quando os tratamentos com fisioterapia e medicamentos não são mais eficazes.

8. Qual o princípio da artroplastia de joelho?

A artroplastia consiste na substituição das superfícies articulares com degeneração da cartilagem do fêmur (osso da coxa), da tíbia (osso da perna) e da patela (osso da frente do joelho) por componentes proféticos (prótese).

A artroplastia pode ser total, com substituição de todos os três componentes do joelho, ou parcial (unicompartimental), quando há substituição parcial de dois componentes, sendo esta de indicação mais restrita. Ambas permitem a correção das deformidades, com melhora da mobilidade articular e diminuição da dor.

9. Que benefícios e vantagens são esperados com a cirurgia?

A artroplastia do joelho permite a correção do alinhamento do membro inferior, a melhora dos movimentos articulares e, principalmente, o alivio da dor, melhorando a qualidade de vida.

10. Como prevenir os riscos da cirurgia de joelho?

A avaliação clínica pré-operatória é fundamental para diagnosticar e/ou compensar as co-morbidades clínicas associadas (diabetes, hipertensão arterial). Algumas medidas básicas como não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas são recomendadas no pré-operatório. Além disso, você deve discutir com o médico que irá avaliá-lo antes da cirurgia quanto ao uso de alguns medicamentos:

· como a aspirina, que pode estar contra-indicada antes da cirurgia por aumentar o risco de sangramento, devendo ser suspensa pelo menos duas semanas antes da data prevista para a cirurgia;

· se você usa corticosteróides ou tem problemas de tireóide, anemia falciforme, diabetes, antecedentes de trombose ou outra doença, informe o médico para que ele possa fazer os ajustes necessários nas doses desses medicamentos antes e depois da cirurgia.

11. Quais são as medidas a serem tomadas na fase pré-operatória?

Exercícios pré-operatórios, à medida do possível e de acordo com a dor e com a limitação de movimentos, são úteis. Os exercícios melhoram o condicionamento muscular e a amplitude de movimentos, facilitando o procedimento cirúrgico e a recuperação pós-operatória. Aprender os exercícios que serão necessários após a cirurgia auxilia na recuperação. São exemplos de exercícios úteis:

· faça um pequeno rolo com uma toalha de rosto e coloque embaixo do joelho, dobre a outra perna e apóie o pé;
· eleve o calcanhar da perna apoiada apertando o rolo para baixo;
· fique nessa posição contando até 5;
· relaxe e repita esse exercício 5 vezes.

12. Quais as complicações mais importantes?

Uma das complicações mais importantes é a trombose venosa profunda. A utilização de anticoagulantes em pacientes submetidos à cirurgia pode diminuir a incidência da trombose e suas graves conseqüências em outros órgãos nobres como o pulmão, o coração e o cérebro.

13. Como prevenir a trombose após a cirurgia de prótese de joelho?

A cirurgia de prótese de joelho necessita de recomendações e medicamentos para prevenção de trombose.

· Em alguns casos, utiliza-se um anticoagulante após a cirurgia.
· Meias de compressão nas pernas durante a hospitalização;
· Indicam-se exercícios para os membros inferiores. Existem atualmente novos medicamentos que podem ser utilizados por via oral, além dos medicamentos tradicionais utilizados por via injetável, indicados para este tipo de prevenção. Converse com o seu médico.

14. Que cuidados devo ter após a cirurgia de joelho?

· O principal cuidado após a artroplastia de joelho é evitar a sobrecarga inicial da articulação.
· Após a cirurgia, o joelho será imobilizado com curativo compressivo (enfaixamento) e dreno para evitar a formação de hematoma.
· A mobilização do membro operado é importante para o retorno gradual da amplitude de movimentos e deve ser estimulada precocemente.
· Logo no primeiro dia, mesmo com o enfaixamento, devemos iniciar a movimentação do tornozelo (dorsiflexão) de maneira Lenta e suave, com duração de dois a três minutos, realizada de duas a três vezes a cada hora. Este movimento é importante para diminuir o edema (inchaço) das pernas.

· Logo após, iniciam-se os exercícios para a musculatura da coxa (quadríceps). Contraia a musculatura anterior da coxa mantendo o membro inferior operado esticado, forçando o joelho em direção ao colchão. Mantenha a contração por cinco a dez segundos.

· Ao repousar, o joelho deve permanecer sempre em extensão (joelho esticado). Não use almofadas embaixo do joelho.
· O dreno e o curativo compressivo são retirados geralmente no segundo dia após a cirurgia, intensificando as atividades do dia anterior e iniciando progressivamente o ganho de movimentos (flexão do joelho).
· Procure elevar o membro operado esticado com a musculatura contraída. A elevação deve ser progressiva, mantendo-a por cinco a dez segundos, abaixando lentamente. Repita até a exaustão.

· Com a ajuda do fisioterapeuta ou por meio de um aparelho especifico de movimentação passiva, você iniciará a flexão progressiva do joelho. De acordo com o ganho apresentado e com o controle da dor, você deverá iniciar os movimentos de maneira ativa (sozinho, sob supervisão fisioterápica).
· Deitado, comece tentando flexionar sozinho o joelho, arrastando o pé na cama.

· Sentado, com o joelho apoiado no fulcro da cadeira ou da cama, exercite a flexão e a extensão progressiva do joelho. Primeiramente com o auxilio do membro contralateral e, na seqüência, ao adquirir força e segurança, com o membro operado isoladamente.

· Quando conseguir ficar em pé, após liberação médica e fisioterápica, apóie a perna operada com cuidado, dividindo o peso entre as muletas e a perna não operada.

· O treino de marcha é fundamental para a recuperação. A liberação da carga (peso) é progressiva e está relacionada com a cicatrização dos tecidos envolvidos e com o tipo de fixação dos componentes (cimentado ou não cimentado). Siga as orientações de seu médico sobre o momento certo de abandonar as muletas e/ou o andador.

15. Quais são os cuidados após a alta hospitalar?

No momento da alta hospitalar, você já deve ter adquirido certa independência, ou seja, você já deva estar apto para sentar e andar com auxilio de suporte. No carro, procure sentar no banco do carona com a perna operada esticada.

Os cuidados que se deve ter em casa são basicamente os mesmos durante a internação.

· Não use almofadas embaixo do joelho.
· Faça fisioterapia regularmente. Execute os exercícios praticados no hospital.
· Realize os curativos diários conforme a orientação de seu médico.
· Alimente-se bem, não se esquecendo de tomar as medicações prescritas.

16. Quais atividades físicas são recomendadas após colocar uma prótese de joelho?

Algumas atividades são permitidas como, por exemplo, pedaladas leves em bicicleta ergométrica, caminhada e natação. Atividades de maior impacto (corrida, futebol, entre outras) não são permitidas, pois podem causar um desgaste mais rápido do material.

Produzido por: Conectfarma - Rua Alexandre Dumas, 1562 cj 24, Chácara Santo Antônio - 0471 7-004 - São Paulo, SP - Fone: 111 j 5181 -6754 Ref. da Publicação: 00143/0

Revisado por:

Centro de Estudos Ortopédicos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE)
Dr Roberto Dantas Queiroz - Diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSPE
Dr Marcelo Itiro Takano - Encarregado da Preceptoria do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSPE

1. O que é TVP?

E uma abreviação de Trombose Venosa Profunda A trombose ocorre quando se forma um coágulo (trombo) na veia, o que pode acontecer em muitos pacientes que fazem cirurgias.

2. Quais as causas mais frequentes de trombose?

A trombose ocorre de modo mais frequente após cirurgias de grande porte. Quaisquer cirurgias, principalmente as ortopédicas, podem fazer com que a circulação fique diminuída nas veias das pernas, e isto pode formar um coágulo, causando a trombose.

3. Posso ter trombose e não sentir nada?

É importante que você saiba que uma parte expressiva dos pacientes que são submetidos a cirurgias ortopédicas de grande porte, como as próteses de joelho e quadril, podem sofrer trombose nas pernas, mesmo que não sintam nada.

Sendo assim, para toda cirurgia de prótese, a prevenção deve ser feita rotineiramente para evitar a trombose. Tenha sempre em mente: você pode estar com a trombose e não sentir, portanto, prevenir é o caminho.

4. Quais são os sintomas mais frequentes da trombose nas pernas?

A grande maioria dos trombos é pequena e não apresenta muitos sintomas. Quando eles ocorrem em veias maiores, profundas, eles podem causar:

· dor na panturrilha ou na coxa, atrás do joelho;
· inchaço na perna;
· sensação de calor e peso nas pernas.

5. O que é a embolia pulmonar?

É uma complicação que ocorre quando o trombo se solta e forma um êmbolo que vai para o pulmão, bloqueando a passagem de sangue para o pulmão pela artéria pulmonar. Apesar de não ser muito frequente, após cirurgias, ela pode ser fatal, devendo ser prevenida sempre. Os principais sintomas da embolia pulmonar são:

· dor súbita no peito;
· dificuldade para respirar;
· aumento da freqüência cardíaca.

6. Quais pacientes podem desenvolver trombose?

· Pacientes que já apresentaram trombose venosa.
· Mulheres em uso de anticoncepcionais e fumantes.
· Pacientes acima de 60 anos de idade que se submetem a cirurgias de grande porte, como é o caso das artroplastias de quadril e joelho.
· Pacientes portadores de tumores.
· Pacientes com distúrbios de coagulação (doença na qual o paciente tem mais facilidade de coagular o sangue).

· Pessoas que fazem muitas viagens de avião em trechos com mais de 8 horas de vôo.

7. Como é realizado o tratamento da trombose?

A trombose venosa profunda é uma doença grave e exige tratamento imediato. O tratamento envolve o uso de anticoagulantes, que podem ser administrados por via subcutânea (com utilização de injeção) ou por via oral.

Os vários anticoagulantes que existem possuem diferentes tipos de ação, portanto é muito importante que você converse com seu médico sobre o uso desses medicamentos.

8. Como prevenir a trombose?

· Conhecer quais são os fatores de risco para lesão.

· Conversar com seu médico sobre o assunto sempre que for realizar uma cirurgia.

· Procurar orientação médica em vôos prolongados (mais de 6 horas de trajeto).

· Evitar o fumo e o sedentarismo (falta de atividade física).

· Seguir a orientação do médico caso seja prescrito algum medicamento para prevenir a ocorrência de trombose.

Produzido por: Conectfarma - Rua Alexandre Dumas, 1562 cj 24, Chácara Santo Antônio - 0471 7-004 - São Paulo, SP - Fone: 111 j 5181 -6754 Ref. da Publicação: 00143/0

Revisado por:

Centro de Estudos Ortopédicos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE)
Dr Roberto Dantas Queiroz - Diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSPE
Dr Marcelo Itiro Takano - Encarregado da Preceptoria do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSPE

A rizartrose é um problema comum que pode afetar qualquer pessoa, no entanto é mais freqüente em mulheres de meia-idade. Trata-se do desgaste da articulação entre o trapézio e primeiro metacarpo, situados na base do polegar.

O sintoma mais comum é a dor na base do polegar, especialmente quando realiza atividades que envolvem o polegar, como escrever, girar uma chave e fazer tricot. Perda de coordenação motora ao manusear objetos pequenos também é uma queixa comum.

O diagnóstico é feito através de um exame físico específico e do raio-X simples das mãos e normalmente nenhum outro exame é necessário para se iniciar o tratamento.

O desgaste articular pode ser causado por uma seqüela de fratura, especialmente quando o tratamento adequado não é aplicado. Alguns distúrbios reumatológicos também podem causar o desgaste desta articulação, mas a maioria dos casos é decorrente de uma predisposição genética no desenvolvimento de osteoartrose em múltiplas articulações.
O tratamento inicial inclui repouso articular, evitando atividades dolorosas e no uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. O uso de objetos maiores nas atividades pode facilitar a pinça com o polegar, como o uso de canetas mais largas. Algumas vezes o uso de órteses (talas plásticas) que limitam o movimento do polegar ajudam no alívio dos sintomas e seu uso à noite, ao dormir, também é recomendável. O uso de meios analgésicos fisioterápicos tem papel apenas no alívio transitório da dor, assim como as infiltrações com corticosteróides.

A cirurgia pode ser necessária se o tratamento descrito não controla os sintomas. O tipo de cirurgia vai depender da condição das articulações.
Nos casos iniciais, quando a articulação ainda está relativamente preservada, pode ser indicada apenas a reconstrução dos ligamentos que estabilizam esta articulação.
Na maioria dos casos não há como salvar a articulação degenerada e esta precisa ser refeita através de uma artroplastia. Várias técnicas cirúrgicas são descritas e sua indicação muitas vezes depende da experiência e preferência do cirurgião. Na maioria das técnicas o osso trapézio é totalmente removido e substituído por algum implante ou estabilizado e preenchido por um tendão.

A fusão da articulação, também chamada de artrodese, também é uma opção de tratamento em casos especiais.

Em todos os métodos de tratamento há risco similar de complicações, sendo as mais comuns a infecção, irritação de nervos e hipersensibilidade na pele. Dor e fraqueza após a cirurgia costumam persistir por cerca de seis meses e cede na maioria dos pacientes.

É freqüente a associação de rizartrose e a síndrome do túnel do carpo devido ao aumento de volume da região do túnel do carpo. Quando presente deve ser tratada no mesmo procedimento cirúrgico. Também é freqüente o acometimento bilateral.

O tempo total de recuperação pode durar de seis a doze meses após a cirurgia e produz resultados satisfatórios em 90% dos pacientes.

O Dedo em Gatilho como é popularmente conhecido é também chamado de Tenossinovite Estenosante. É uma das doenças mais freqüentes da mão e ocorre devido a um processo inflamatório crônico dos tendões flexores na região da base dos dedos. O primeiro sintoma pode ser a dificuldade de fechar totalmente os dedos. Ao longo do tempo pode haver um travamento do dedo, geralmente muito doloroso, sendo necessário o uso da outra mão para destravá-lo. O termo gatilho decorre da sensação de ressalto durante o deslizamento do tendão ao movimentar o dedo. O engatilhamento é mais comum pela manhã ao acordar e melhora ao longo do dia

Geralmente não é possível identificar a causa exata do processo inflamatório, mas pessoas que realizam atividades repetitivas têm maior chance de desenvolver esta doença. A herança genética também é apontada como um fator predisponente para esta doença.

A inflamação crônica do tendão provoca a formação de um nódulo tendíneo na base do dedo. Este nódulo é o responsável pelo engatilhamento durante o fechamento e abertura do dedo afetado. Em alguns casos o travamento só consegue ser desfeito com o uso de anestesia local.

O dedo em gatilho afeta pessoas de todas as idades, incluindo crianças, mas é mais freqüente em mulheres de meia-idade. Diabéticos também têm tendência aumentada a desenvolver esta doença.

O diagnóstico na maioria das vezes é feito pelo exame clínico de um médico especializado, através da palpação do ressalto e da dor no tendão espessado. Nenhum outro exame é habitualmente necessário para o diagnóstico.

Para casos leves a moderados o repouso articular por 7-10 dias pode melhorar os sintomas. Neste período deve-se evitar atividades repetitivas e aquelas que provocam piora dos sintomas. O uso de uma órtese (tala) com o dedo estendido ajuda a manter o dedo em repouso e combate a formação do nódulo.

Para casos mais severos existe a opção da infiltração com cortisona diretamente sobre o nódulo. É um procedimento relativamente simples e rápido, com o qual a maioria dos pacientes melhora dos sintomas, principalmente da dor. Pode ser necessário repetir o procedimento, mas não é aconselhável seu uso contínuo devido ao enfraquecimento do tendão.

A cirurgia é recomendada quando os outros métodos falham ou quando o travamento do dedo é constante. É um procedimento de rotina, tendo baixo índice de complicações e excelente resultado a curto e longo prazo. O procedimento é realizado no centro cirúrgico, no regime de hospital-dia e o paciente não precisa dormir no hospital. O procedimento consiste na incisão da pele e na abertura de uma das polias para que o tendão possa deslizar livremente durante os movimentos dos dedos. O uso da mão em atividades leves é permitido em 1-2 semanas após a cirurgia e a recuperação total geralmente é alcançada em mais algumas semanas.

A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é uma condição que ocorre quando o nervo mediano é exposto a pressão mais alta do que a normal. O nome Síndrome do Túnel do Carpo vem da localização do nervo dentro do túnel do carpo localizado no punho e coberto por um grosso ligamento (ligamento transverso do carpo).

A STC ocorre quando há aumento do volume dos tecidos dentro do túnel ou quando este túnel tem seu diâmetro reduzido. Movimentos repetitivos e que forçam a pinça e preensão com as mãos podem causar edema dos tendões que passam por este túnel e são uma das principais causas desta doença. É um problema comum em mulheres grávidas e mulheres de meia idade, pois está associado às modificações hormonais que ocorrem neste período e provocam retenção de líquidos no corpo, incluindo a região do túnel do carpo. Indivíduos com diabetes, doenças da tireóide e artrite reumatóide podem desenvolver o espessamento dos tendões e dos nervos, o que pode contribuir para o desenvolvimento desta doença.

Quem tem STC apresenta dormência, formigamento, queimação e choques na mão, particularmente no polegar, indicador e dedo médio. Tipicamente, somente os dedos ficarão dormentes, mas é possível sentir dormência em toda a mão até o braço ou ombro. Os sintomas costumam piorar durante a noite e ao deitar. O uso do polegar pode ficar limitado ou enfraquecido. Muitas vezes os sintomas são bilaterais.

A STC é diagnosticada após uma avaliação médica especializada onde os sintomas e o exame físico específico podem fechar o diagnóstico. Um estudo da condução nervosa (Eletroneuromiografia) é usado para determinar a severidade do dano que ocorreu no nervo mediano.

O tratamento usualmente requer o uso de órtese (tala) para suportar o punho durante o sono. Ou uma infiltração de cortisona no túnel do carpo para reduzir o edema e melhorar os sintomas, mas o efeito em geral é transitório. A fisioterapia pode ajudar a reduzir os sintomas e o edema, mas costuma ser pouco eficiente em casos moderados ou graves.

Se essas medidas não forem bem sucedidas, a cirurgia pode ser necessária para expandir o túnel do carpo e aliviar a pressão do nervo mediano. Esse procedimento é conhecido como liberação do túnel do carpo e é usualmente um procedimento realizado em centro cirúrgico. O forte ligamento transverso no lado da palma da mão é cortado para aliviar a pressão sobre o nervo mediano. A maioria das pessoas trata uma mão por vez, para poder usar a outra mão enquanto a mão operada cicatriza. Seu cirurgião pode discutir com você as opções de fazer sua cirurgia por “endoscopia do túnel do carpo” ou “cirurgia aberta do túnel do carpo”. Ambos os procedimentos são comumente feitos.

A cirurgia habitualmente proporciona o completo alívio na maioria das pessoas. O uso da mão operada para atividades leves, como se vestir, comer e higiene pessoal, é usualmente possível após a primeira ou segunda semana da cirurgia. A palma da mão deve permanecer sensível a pressão por um período de até seis meses.
Quando há uma compressão severa do nervo e o tratamento demora a ser realizado pode haver seqüela com perda definitiva da sensibilidade e da força da mão. 

Artigo apresentado no 37º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Everson de Oliveira Giriboni; Angélica Gimenes

Objetivo:
As dificuldades encontradas na obtenção de enxerto autólogo para o preenchimento de falhas ósseas incluem limitação de material obtido e morbidade da área doadora, favorecendo desta forma a utilização de materiais sintéticos como substitutos ou mesmo a utilização conjunta com enxerto autólogo. Os primeiros relatos da aplicação de sulfato de cálcio (plaster of paris) para o preenchimento de falhas ósseas datam de 1892. Este biomaterial cerâmico, inorgânico e reabsorvível apresenta propriedades osteocondutoras, ou seja, atua como um suporte para as células osteoprogenitoras, favorecendo a neovascularização e a deposição de tecido durante a formação óssea. Além de sua utilização para o preenchimento de falhas ósseas, desde 1927 tem sido proposta a adição de antibiótico durante o processo de preparação do sulfato de cálcio, possibilitando a liberação controlada deste antibiótico durante o processo de reabsorção do próprio sulfato de cálcio. O processo de liberação local de antibiótico por meio de biomaterial reabsorvível evita a aplicação de altos níveis sistêmicos da droga ou mesmo a necessidade de remoção de veículo de liberação de antibiótico não absorvível, como metacrilatos. O objetivo deste trabalho é avaliar a utilização do sulfato de cálcio como agente de liberação controlada de antibiótico no tratamento e prevenção de osteomielite. O antibiótico utilizado, sulfato de tobramina, é indicado para o tratamento de infecções osteoarticulares graves causadas por cepas como staphylococcus aureus, staphylococcus epidermidis, pseudomonas aeruginosa, entre outras.

Material e método:
O biomaterial sulfato de cálcio grau médico em pó foi utilizado em trinta e dois pacientes para o preenchimento de falhas ósseas em casos de osteomielites agudas e crônicas e cirurgias com osteomielites previamente tratadas, predominantemente de tíbia e fêmur. O biomaterial foi aplicado nos locais de lesão óssea juntamente com implantes metálicos, como hastes, pinos e placas, com a finalidade de estabilizar as lesões.o biomaterial fornecido em pó é misturado a solução líquida de antibiótico (tobramicina ou vancomicina) para a obtenção de uma pasta que é moldada na forma de pastilhas. Todo este processo é realizado durante o ato cirúrgico e são mantidas todas as condições de assepsia para a manipulação de material previamente estéril. Esta mistura do biomaterial com antibiótico foi aplicada em falhas ósseas com o intuito de tratar osteomielites agudas e crônicas em cirurgias como preventivo de infecção em potencial.

Resultados:
Os pacientes tratados com biomaterial associado a antibiótico para a prevenção ou o controle de infecção óssea apresentaram evolução clínica satisfatória. Exames radiográficos demonstraram a reabsorção do biomaterial presente inicialmente na falha óssea, resultando na liberação local de antibiótico. Apenas em cinco casos (15 % dos casos analisados) não foi observado o controle da infecção. Foram detectados como agentes infecciosos responsáveis pelo quadro de osteomielite serratia, staphylococcus aureus e psedomonas, sendo que os casos de não resolução de três dos quadros infecciosos estudados estavam relacionados a presença de staphylococcus aureus. Em outros dois casos com a constatação da presença de staphylococcus aureus a infecção foi controlada com a aplicação local de antibiótico associado ao biomaterial. Não foram constatadas maiores complicações no seguimento pós-operatório dos casos estudados.

Conclusão:
A utilização de biomaterial a base de sulfato de cálcio adicionado de antibiótico possibilita o tratamento de osteomielites e a prevenção de infecção.

Consulte a página original do resumo no site da SBOT. Clique aqui para acessar. 

Artigo apresentado no 36º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Christiane Bertachini Lombello; Juan Jose Lovon; Adriana Silveira Pagani; Angela Cristina Accácio Mazzei; Pedro Tadeu Cintra; Geraldo Marins dos Reis Jr; Nelson Hidekazu Tatsui; Xavier Soler Graells; Edie Marcelo Zanelli; Everson De Oliveria Giriboni

Objetivo

Há 130 anos, cohnhein sugeriu a presença de células na medula óssea capazes de regenerar tecidos. Na década de 70, friedenstein demonstrou a formação de depósito ósseos a partir de cultura de células da medula. Em 1980, connoly fez a aplicação clínica do aspirado de medula óssea para a regeneração tecidual, em locais de falhas ósseas críticas. Desde então, inúmeros relatos da aplicação clínica da medula óssea podem ser encontrados. O objetivo deste trabalho é mostrar técnica de obtenção das células mesenquimais presentes no aspirado de medula óssea por sua passagem através de elemento filtrante biocompatível (OSTEOGÊNICAGMREIS).

Material e métodos
O biomaterial eleito é o sponjosagmreis (osso sintético esponjoso) b-tricálcio fosfato, biodegradável, osteogênico, osteocondutor, constituído de policristais cerâmicos derivados de cálcio e fósforo, oxidados a altas temperaturas (> 1000°c), de estrutura trabecular e composição química similar ao osso natural. O diâmetro médio de seus poros são compatíveis com o tamanho das células mesenquimais. A passagem do aspirado da medula óssea através deste biomaterial permite a retenção destas células nos seus poros e o descarte de outros elementos não relevantes à regeneração. Foram realizadas 10 filtrações de medula óssea através do biomaterial. 30 ml de medula óssea foram obtidos de 10 pacientes (indicação médica eletiva).

Resultados
Foi observada a retenção de 60% (55% a 70%) das células mononucleares presentes no aspirado de medula óssea, incluindo as células mesenquimais.

Conclusão
Concluímos que esta técnica resultou no enriquecimento efetivo do biomaterial com células mesenquimais e possibilita o uso da terapia celular na clínica ortopédica.

Consulte a página original do resumo no site da SBOT. Clique aqui para acessar.

Artigo apresentado no 36º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia

Everson de Oliveira Giriboni; José Carlos Affonso Ferreira; Cristiane S. Albuquerque; Marcelo W. Alves; Ricardo A. Ferreira

Objetivo
Dentre as fraturas dos ossos longos as da tíbia são as mais freqüentes, com seqüelas associadas importantes. Muito vem se discutindo na literatura sobre a melhor forma de abordagem.

Material e métodos
Neste estudo retrospectivo serão apresentados os resultados obtidos com o tratamento de 56 fraturas de tíbia diafisárias fechadas , tratadas com aparelho gessado ou com haste intramedular bloqueada,

Resultados
56 fraturas diafisárias de tíbia foram avaliadas como grupo a e grupo b respectivamente e consideradas as variáveis : tempo para carga total, presença de desvios , associação com fratura de fíbula , presença de dor, mobilidade no foco de fratura , tempo de afastamento do trabalho e número de consultas.

Conclusão
A análise estatística dos grupos demonstrou ser a haste bloqueada método eficaz e menos oneroso do que o tratamento conservador com aparelho gessado, no tratamento da fratura de tíbia .

Consulte a página original do resumo no site da SBOT. Clique aqui para acessar.

Artigo apresentado no 36º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia
Everson de Oliveira Giriboni; Jair Otiz

Objetivo
Aspectos relevantes da literatura foram revistos, com especial ênfase nas vantagens dos tratamentos conservadores em relação aos cirúrgicos, quais sejam, a praticamente ausência de complicações importantes, a baixa morbidade e o baixo custo do método e a não necessidade de profissional altamente especializado para sua realização.

Material e métodos
Dezessete casos de amputação traumáticas das extremidades distal do dedo da mão foram estudados prospectivamente, tratado conservadoramente com o uso de aparelho gessado oclusivo após desbridamento ósseos e de partes moles, com anestesia por bloqueio interdigital, em caráter ambulatorial e sem antibioticoterapia.

Resultados
Nossos resultados estão em total acordo com a literatura, já que não tivemos nenhuma complicação importante, com média de tratamento de 5,5 semanas, sem restrições dos movimentos dos dedos. Acometidos e sensibilidade praticamente normal dos cotos amputados.

Conclusão
Com tratamento conservado obtivemos rápido retorno às atividades profissionais originais, com ótimos resultados cosméticos, fazendo deste método o preferencial nas amputações traumáticas de extremidade distal dos dedos da mão.

Consulte a página original do resumo no site da SBOT. Clique aqui para acessar.

Autores: Everson de Oliveira Giriboni, José Carlos Affonso Ferreira, Paulo Cristiano Camargo Heinrich

Introdução

De acordo com a literatura, as fraturas diafisárias do úmero podem ser tratadas de várias maneiras, geralmente optandose por métodos conservadores. Vários autores descreveram, desde o início do século, resultados com as diversas modalidades de tratamento conservador, com tração esquelética ou cutânea balanceada ou não, gesso toracobraquial, pendente gessado, “pinças de confeiteiro” e Velpeau gessado ou não(1-6).

Sarmiento, a partir da década de 60, iniciou o tratamento conservador das fraturas dos ossos da perna, visando mobilização e função precoces do membro afetado(7-10); no início utilizando-se de aparelho gessado (PTB-patelar tendon bearing) e, com o desenvolvimento do método, evoluiu-se para aparelhos de polipropileno pré-moldados. Com o sucesso obtido por este método de tratamento, no início da década de 70, sua aplicação foi estendida para as fraturas diafisárias do úmero e dos ossos do antebraço(11,12). Inicialmente era utilizada uma única valva, feita de polipropileno, e mais tarde Sarmiento e outros autores desenvolveram a órtese bivalve, a qual divide melhor as forças compressivas nas partes moles, e em polietileno, material mais maleável e de fácil moldagem(13-16).

O método de Sarmiento, no tratamento das fraturas do úmero, eliminou quase que totalmente as complicações dos métodos rígidos, tais como: capsulite adesiva e subluxação transiente do ombro, rigidez articular do cotovelo e longos períodos de recuperação funcional. Ele obteve resultados excelentes, com consolidação em média de 10,6 semanas; a função praticamente normal da extremidade envolvida foi obtida em 95% dos casos(16).

O método de Sarmiento nos parece ser ideal para o tratamento das fraturas do úmero. É, no entanto, inacessível para a grande maioria da população de um país em desenvolvimento, devido ao seu alto custo (R$ 250,00 em média) e a necessidade de um técnico em órteses para a sua confecção. Baseados nisso é que desenvolvemos uma órtese, a partir de frascos plásticos vazios de soro fisiológico, descartáveis e disponíveis em qualquer local do país, não necessitando de pessoal técnico especializado para sua confecção.

O intuito desta revisão é demonstrar a nossa experiência prospectiva e laboratorial com o método de Sarmiento simplificado.

Material e métodos

De julho de 1989 a setembro de 1992, utilizamos o método simplificado de Sarmiento em 33 pacientes com 34 fraturas do úmero, sendo uma bilateral. Vinte e quatro fraturas em 23 pacientes foram seguidas, segundo o protocolo de tratamento, por um dos autores (P.C.C.H.).

Vinte e sete (79,4%) ocorreram no sexo masculino e sete (20,6%) no feminino; as idades variaram de 28 a 83 anos, com média de 33 anos. A causa mais freqüente do trauma foi atropelamento em 14 casos (41,2%), acidentes automobilísticos em 6 casos (17,6%), acidentes motociclísticos em 4 casos (11,8%); queda da própria altura em 4 casos (11,8%); queda superior a 2 metros de altura em 3 casos (8,8%) e 1 caso de ferimento por arma de fogo, fratura patológica por tumor e esforço físico rotacional em “braço de ferro”, categorizando 8,8%.

As fraturas foram diafisárias: 23 casos (67,6%) envolvendo o terço médio, 8 casos (23,6%) o terço distal e 3 casos (8,8%) o terço proximal da diáfise.

Quanto ao tipo de fratura, a de maior incidência foi a cominutiva em 19 casos (55,9%) e não cominutivas em 14 casos (41,2%), além de uma fratura segmentar (2,9%). Todas as fraturas foram fechadas, exceto uma no terço médio que foi exposta, tipo 2 de Gustillo.

O método constou de uma órtese, confeccionada a partir de dois frascos plásticos de soro fisiológico de 1.000ml, que, retirados o topo e o fundo, formam duas folhas plásticas (valvas), 0,5 metro de malha tubular, de 7cm de largura, um rolo de algodão ortopédico de 15cm e 1 metro de esparadrapo (fig. 1).

A técnica de colocação da órtese segue os seguintes passos:

1) Limpeza do braço com aplicação de Benjoin (fig. 2A);

2) Aplicação de esparadrapo longitudinal (fig. 2, B e C), colocação da malha tubular (fig. 2D), seguida do algodão ortopédico (fig. 3A), com cuidado para aplicar uma camada extra, próxima do cotovelo e axila, no intuito de evitar macerações;

3) Colocação da primeira valva plástica anteriormente, com a abertura posterior, e da segunda valva posteriormente, com abertura anterior (fig. 3, B e C);

4) Ajuste das valvas em torno das partes moles, tentando fazer compressão importante sobre a musculatura bicipital e tricipital do braço (sem causar efeito torniquete) e fixação destas com três tiras de esparadrapo circular (fig. 3D);

5) Acabamento com faixa de crepe e confecção de tipóia (fig. 4).

Como protocolo de tratamento, no primeiro dia de fratura, foi aplicada tala gessada axilopalmar, mantida por uma semana, após a qual foi colocada órtese. Prescrita orientação de fisioterapia domiciliar: exercícios de circundação do ombro e flexo-extensão ativa do cotovelo, evitando-se a abdução ativa do ombro. Os retornos foram a cada duas semanas, quando, por motivo de higiene e ajuste, as órteses eram trocadas e observadas possíveis lesões de pele. Em cada revisão foram realizadas radiografias de controle ântero-posterior e laterais, com observação do grau de consolidação, anotados os graus de movimento das articulações e realizado exame neurológico e clínico da extremidade com especial atenção à mobilidade do foco da fratura.

A retirada da órtese foi feita somente quando da consolidação clínica e radiológica da fratura. Alta após um mês, quando era repetida a radiografia e confirmada a consolidação.

Realizamos estudos simulando fratura de úmero, comparando a rigidez do sistema sem órtese, com órtese de polietileno tipo Sarmiento e com a nossa órtese simplificada.

Conforme esquema (fig. 5), simulou-se uma fratura do úmero com cano de ferro galvanizado de 60cm de comprimento, com 1,8cm de diâmetro, serrado ao meio e uma de suas extremidades fixada a uma base com angulação de 45º. Uma mangueira de borracha de 10cm de comprimento por 1cm de diâmetro mantinha conexão entre os dois tubos, representando o foco da fratura. Envolvendo todo o sistema foi colocada uma peça de músculo bovino, simulando as partes moles que circundam a fratura (fig. 6A).

A parte experimental foi realizada com a aplicação de três quilogramas na extremidade livre do sistema (fig. 6) e radiografia ântero-posterior efetuada: a) sem nenhum método de imobilização (fig. 6B); b) com a fixação externa pelo aparelho clássico de Sarmiento de polietileno (fig. 6C); e c) com a nossa órtese simplificada (fig. 6D), atentando-se para o grau de flexão sofrido pelo sistema.

Resultados

Dos 23 pacientes com 24 fraturas seguidos pelos autores, conforme o protocolo descrito, a consolidação clínica foi obtida, em média, após 6,3 semanas de imobilização, variando de 4,5 a 10 semanas, com consolidação radiológica em média após 7,8 semanas, variando de 6 a 11 semanas (fig. 7). Embora não tenhamos um valor estatístico absoluto, notamos nítida consolidação mais rápida nos casos de fraturas cominutivas. Duas fraturas evoluíram para pseudartrose, sendo uma em paciente epiléptico e outra em paciente que não observou a orientação protocolar, retornando às atividades físicas pesadas de imediato à implantação da órtese; estes casos foram excluídos da estatística de tempo e consolidação e tratados cirurgicamente.

Os desvios angulares das fraturas consolidadas foram medidos nas radiografias finais, sendo todos os desvios em varo e em média de 9,6º, variando de 2 a 20º, e posteriores com a média de 5,2º, variando de 2 a 10º. Nenhum dos pacientes apresentou queixa estética ou funcional relativa aos desvios (fig. 8).

O comprimento do úmero foi medido nas radiografias ân-tero-posteriores finais, que mostraram encurtamento em média de 4,1mm, variando de 0 a 7mm (fig. 9).

Dois dos pacientes se apresentaram com lesão do nervo radial imediata à fratura, com recuperação total: uma após seis semanas e a outra após cinco meses, não exigindo nenhuma modificação substancial do protocolo.

Além dos dois (8,3%) casos de pseudartrose, relacionamos como complicações: uma (4,1%) fratura consolidada após 18 semanas (considerada como retardo de consolidação), um caso (4,1%) de subluxação transiente do úmero, melhorada após exercícios fisioterápicos, dois casos (8,3%) de rigidez do cotovelo melhorada com fisioterapia. Todos os pacientes apresentaram grau leve de dermatite de contato que não interferiu com o tratamento e solucionada espontaneamente após o término do mesmo.

No simulador de fratura, tivemos desvio angular de 70º no sistema sem imobilização (fig. 6B), desvio de 10º no sistema do tipo Sarmiento de polietileno (fig. 6C) e desvio de 10º no sistema simplificado (fig. 6D).

Discussão

Nossos resultados foram comparados com os da literatura mundial(12-16), com o óbvio custo menor pela utilização de material desprezado dentro do ambiente médico-hospitalar.

Sarmiento e Zagorski demonstraram em estudos biomecânicos que: a rigidez do foco da fratura de óssos longos, necessária para estabilização e consolidação da mesma, é feita à custa da compressão das partes moles ao redor da fratura e não pela resistência e dureza do material utilizado na confecção da órtese(10,16,17). Nosso experimento biomecânico comprova os achados de Zagorski, provando a viabilidade do uso da órtese simplificada ao invés da órtese clássica de Sarmiento.

As complicações com relação à consolidação são explicadas pela grande mobilidade aplicada ao foco da fratura no início do tratamento, pela falta de cooperação de nossos pacientes. Esse fato explica sobremaneira os nossos casos de pseudartrose, pois um deles ocorreu em paciente epiléptico não controlado e o outro em um paciente que retornou à atividade pesada de imediato à colocação da órtese, sem o nosso aval. Um dos casos foi tratado com osteossíntese com placa, parafusos e enxertia óssea, e o outro por injeção de medula óssea do ilíaco no foco da pseudartrose, ambas com bons resultados.

Os desvios angulares, de até 20º, devido à massa de partes moles do braço e à grande mobilidade das articulações adjacentes, não causaram qualquer problema estético ou funcional(12,16,17).

A abdução ativa do ombro deve ser evitada nas primeiras semanas do tratamento, prevenindo-se assim desvios angulares em varo de maior significação(18).

Outro aspecto citado por Sarmiento e também observado nos nossos casos, com relação à maior rapidez de consolidação das fraturas cominutivas, quando comparadas com as transversas, se deve ao fato de que provavelmente ocorre maior intensidade de microtraumas no foco da fratura durante o tratamento, estimulando o desenvolvimento de calo ósseo exuberante(18).

Baseado no sucesso com as fraturas do úmero e devido ao baixo custo socioeconômico do método, estendemos esta forma de tratamento simplificada para as fraturas diafisárias do antebraço e fêmur, o que será motivo de futuras revisões.

Conclusões

Com a órtese de Sarmiento simplificada, acreditamos po-der atingir o mesmo índice de sucesso no tratamento das fraturas diafisárias do úmero do que o conseguido por outros autores que usaram métodos semelhantes, com um custo socioeconômico menor e aplicável às nossas realidades.

Referências

1. Christensen S.: Humeral shaft fractures, operative and conservative treatment. Acta Chir Scand 133: 455-460, 1970.

2. De Palma A.F.: The management of fractures and dislocations. 3rd ed., vol. I, p.p. 719-738, 1980.

3. Epps C.H., Jr.: “Fractures of the shaft of the humerus” in Rockwood e Green (eds.): Fractures in adults. 2nd ed., vol. 1, p.p. 653-674, 1984.

4. Holm C.L.: Management of humeral shaft fractures. Fundamental non- operative technics. Clin Orthop 71: 132-139, 1970.

5. Klenerman L.: Fractures of the shaft of the humerus. J Bone Joint Surg [Br] 48: 105-111, 1966.

6. Laferté A.D., Nutter P.D.: The treatment of fractures of the humerus by means of a hanging plaster cast. “Hanging cast”. Am Surg 114: 919- 930, 1941.

7. Sarmiento A.: A functional below-the-knee cast for tibial fractures. J Bone Joint Surg [Am] 49: 855-875, 1967.

8. Sarmiento A.: A functional below-the-knee brace for tibial fractures. A report on its use in 135 cases. J Bone Joint Surg [Am] 52: 295-311, 1970.

9. Sarmiento A., Gersten L.M.: Tibial shaft fractures treated with functional braces. Experience with 780 fractures. J Bone Joint Surg [Br] 71: 602-609, 1989.

10. Sarmiento A., Catta L.L.: The role of soft tissues in fracture stability. J Bone Joint Surg [Am] 56: 854, 1974.

11. Sarmiento A., Cooper J.S.: Forearm fractures. Early functional brac- ing. A preliminary report. J Bone Joint Surg [Am] 57: 297-304, 1975.

12. Sarmiento A., Kinman P.B.: Functional bracing of fractures of the shaft of the humerus. J Bone Joint Surg [Am] 59: 596-601, 1977.

13. Balfour G.W., Mooney C., Ashby M.E.: Diaphyseal fractures of the humerus treated with a ready-made fracture brace. J Bone Joint Surg [Am] 64: 11-13, 1982.

14. Latta L.L., Sarmiento A., Tarr R.R.: The rationale of functional brac- ing fractures. Clin Orthop 146: 28-36, 1980.

15. McMaster W.C., Tiunon M.C., Waugh T.R.: Cast brace for the upper extremity. Clin Orthop 109: 126-129, 1975.

16. Zagorski J.B., Latta L.L.: Diaphyseal fractures of the humerus. Treat- ment with prefabricated braces. J Bone Joint Surg [Am] 70: 607-610, 1988.

17. Zagorski J.B., Zych G.A., Latta L.L., McCullough, N.C. III: Modern concept in functional fracture bracing: the upper limb. Instructional Course Lectures, the American Academy of Orthopaedic Surgeons, vol. 36, p.p. 371-401, 1987.

18. Sarmiento A.: Personal communication. Rio de Janeiro, August, 1990.

19. Parrish C.C., Murray J.A.: Surgical treatment for secondary neoplastic fractures. A retrospective study of ninety-six patients. J Bone Joint Surg [Am] 52: 665-686, 1970.  

Disponível também em: Revista Brasileira de Ortopedia. Clique aqui para acessar.

Previous 1 2 3 4 5 6 7 Next