> Implante inédito visa regeneração óssea
Material sintético combinado a células-tronco foi utilizado pela primeira vez no mundo ontem, no Centro Médico de Campinas.
Um material inédito, que combina osso sintético e um concentrado de células-tronco, foi implantado ontem, pela primeira vez no mundo, durante uma cirurgia ortopédica em Campinas. O material pioneiro, inteiramente nacional, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar coordenada pela empresa de implantes ortopédicos GMReis, é um avanço, segundo o ortopedista Éverson Giriboni, do Instituto Afonso Ferreira, um dos integrantes da equipe e responsável pelo procedimento cirúrgico realizado ontem. De acordo com ele, ossos artificiais já existem, mas não com a composição conseguida, que permite uma absorção de células-tronco até dez vezes maior, fator determinante para aumentar a regeneração de osso.
O combinado de osso sintético e concentrado de células-tronco foi implantado para permitir a regeneração do tecido perdido. O material pode ajudar pessoas que sofreram fraturas graves e perdas ósseas, explica Giriboni.
A primeira beneficiada com o novo produto foi a baiana Julia Maria da Silva Costa, de 36 anos, que já era paciente de Giriboni e aguardava por uma cirurgia em que seria usado o osso de sua bacia quando o uso do material foi liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Júlia foi vítima de um atropelamento há 15 anos e sofreu um encurtamento de nove centímetros na perna, rotação do fêmur e diversas infecções decorrentes ao uso das gaiolas que dão sustentação à perna esquerda.
Julia já havia passado, ao longo desses anos, por diversos países, como Inglaterra e Espanha, e por hospitais na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A cirurgia para o implante foi realizada na tarde de ontem, no Centro Médico de Campinas, e durou cinco horas. A paciente passa bem e pode receber alta dentro de dois dias.
O composto
A bióloga Christiane Lombello, da equipe multidisciplinar da GMReis, explica que o osso sintético é constituído por um tipo específico de cerâmica, com porosidade de até 86%, daí a sua alta capacidade de absorção das células-tronco, que o torna capaz de substituir o osso perdido ou fraturado e ampliar a capacidade de regeneração do tecido. Segundo ela, trata-se de uma alternativa para o tratamento da perda de osso por acidentes, cânceres, processos degenerativos e até doenças periodontais. "Este combinado possui diversas vantagens sobre os materiais existentes", reforça Giriboni.
O ortopedista explica que os estudos revelaram que as células de medula óssea associadas ao osso sintético podem substituir outros tipos de células e alcançar grau máximo de utilização. O principal diferencial em relação aos materiais utilizados atualmente, entre os quais os produzidos nos Estados Unidos e Suíça, é que este produto foi criado especialmente para reter as células-tronco, e devido à sua biocompatibilidade, não agride o organismo humano. "Os outros materiais sintéticos até podem conter células-tronco, mas não foram projetados especialmente para isso" , explica. Para Giriboni, devido a esse fator e à sua grande capacidade regenerativa, "a associação osso sintético e as células-tronco representa o futuro da reparação óssea. E é um produto genuinamente nacional", destaca.
A combinação entre o osso sintético e as células-tronco é possível devido à capacidade especial delas se adequarem a praticamente todos os tecidos, ao contrário das demais células do organismo que em geral só podem fazer parte de um tecido específico. "Quando em contato com células ósseas, elas transformam-se neste tecido e assim por diante, por isso a recuperação do osso através desse procedimento é de 100%" , afirma Giriboni. Outro diferencial, segundo ele, é a auto-replicação das células da medula óssea, que permite a geração de cópias idênticas de si mesmas, o que as tornam perfeitas para realização do procedimento.
Alexandra Magalhães
Representante GMReis
filial SP
Fonte: Centro Marian Weiss - Clique aqui para acessar.
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