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> Acidentes fatais com motociclistas diminuem, mas sequelas aumentam Ortopedista de Campinas alerta para os problemas enfrentados pelos acidentados A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) divulgou que no primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período do ano anterior, apenas na cidade de São Paulo teve uma queda de 9,3% no número de mortes envolvendo motocicletas. Nos primeiros seis meses de 2008, foram registrados 236 acidentes com mortes; no mesmo período de 2009 as fatalidades baixaram para 214. Sem dúvida alguma é um avanço no caótico trânsito brasileiro, porém se o número de mortes diminuiu, não podemos falar o mesmo dos acidentados que sobreviveram e suas seqüelas. Fala-se muito na queda no número de mortes, mas pouco nos acidentados e suas consequências, afirma o médico ortopedista Marcelo Rosa de Resende, da Clínica Avançada Ortobone, em Campinas: “Acidente de moto é um problema de saúde pública, pois muitos vão necessitar de internações prolongadas, procedimentos cirúrgicos e uso de material de implante. Nas lesões mais complexas o uso de antibióticos de última geração representa um alto custo no tratamento dos acidentados. Após a alta, os pacientes permanecem por longo período com retorno ambulatorial e não raramente necessitam de intervenções cirúrgicas complementares”, afirma Resende. Segundo dados levantados pelo ortopedista há uma piora das características das lesões nos últimos anos. As lesões mais comuns nesses casos são os traumatismos cerebrais e da coluna vertebral que estão diretamente ligadas ao alto índice de mortalidade no momento do trauma ou nas horas iniciais que o sucedem, para os que sobrevivem, ficam extensos ferimentos por todo o corpo com fraturas graves, o que torna o tratamento bem difícil e demorado e provoca uma perda muito grande na qualidade de vida, principalmente na recuperação do acidentado para o retorno ao trabalho. “Pela própria disposição do motorista na moto, o membro inferior é o mais acometido, pois as pernas são os “para-choques” do motorista. Portanto as lesões mais comuns são as fraturas expostas acometendo a região da coxa, joelho e perna,“ salienta Dr. Resende. Pronto atendimento – infelizmente no Brasil, poucos profissionais de saúde estão habilitados a prestar o pronto atendimento ao acidentado de moto. Por se tratarem de lesões de alta complexidade, o atendimento inicial poderá selar o prognóstico do paciente. A urgência em se realizar os procedimentos de suporte básicos para a sobrevivência do paciente como a manutenção das vias aéreas prévias, descompressões de hematomas cranianos, o controle de sangramento e a limpeza e estabilização das feridas relacionadas às fraturas expostas, caracterizam a necessidade de uma equipe de atendimento emergencial com treinamento e recursos para realizar estes procedimentos em tempo hábil. O não cuidado inicial adequado em especial das fraturas expostas poderá determinar a maior probabilidade de infecção que irá acarretar no pior prognóstico do tratamento. Para o Dr. Marcelo Rosa de Resende, o ideal é uma mudança da política de trânsito, uma readequação das leis para torná-las mais rígidas no que se refere ao limites de velocidade e áreas onde a motocicleta deverá trafegar. Como complemento é necessário um trabalho de divulgação que no acidente de moto, entre a morte e a sobrevivência, temos um grande número de sequelados, que vão representar um ônus para a sociedade e principalmente para a vítima do acidente e de toda a sua família: “Nós que estamos na linha de frente do atendimento de pacientes acidentados ficamos estarrecidos com a passividade de nossas autoridades frente ao que consideramos um dos mais graves problemas de saúde pública , principalmente nas grandes cidades”, complementa.
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